sábado, 6 de fevereiro de 2021

ORGULHE-SE DE QUEM VOCÊ ESTÁ SE FORMANDO


Chega um tempo em que é preciso dar a opinião alheia a sua devida importância: a de que ela é uma leitura a seu respeito, feita por alguém que mesmo muito próximo (ou não), não conhece com propriedade o peso de suas batalhas e nem o valor de suas conquistas. 

A melhor versão de nós é aquela constituida por nós mesmos. 

Autenticidade é defeito em um mundo de cópias!

NÃO É ATOA QUE A SOLITÁRIA É A PIOR PARTE DE UM PRESÍDIO


Nossa casa geralmente é uma extensão do nosso ambiente familiar. Ali a tendência é que sejamos tratados sem as máscaras sociais que aprendemos a usar para nos sentirmos aceitos. No ambiente da casa parece que todas as estratégias de atratividade são falíveis, principalmente porque convivem ali os principais personagens de nossa história crua. A inquietude das paredes de casa revela nossa preocupação exacerbada com aquilo que está lá fora. Alegoria perfeita para ilustrar a inabilidade de lidar com o que realmente nos pertence: nossos sentimentos!

GERAÇÃO MICRO-ONDAS

 


A geração da urgência vem aí. A medida em que a comunicação migra para a ponta dos dedos, aumenta-se o mutismo emocional. Sabe-se sentir, apenas sentir. Ninguém nomeia, ninguém entende nada do mundo interior. E assim, a geração da urgência prossegue. Resolvendo equações cada vez mais complexas e empilhando dores emocionais cada vez mais profundas.

A GENTE CRESCE EM TORNO DOS NOSSOS SENTIMENTOS


Quando a gente é criança a vida parece ter outra dimensão. Vivemos num mundo todo particular, em que toda brincadeira gira em torno das possibilidades de ter uma vida adulta, livre do compromisso interminável da escola, da supervisão implacável da mãe e dos bolsos sem dinheiro.

Quando a gente é criança as preocupações são outras, e as prioridades também. Mas os sentimentos são os mesmos. A gente ama com fervor, se aborrece, chora e ri das situações.

Quando a gente é criança nunca acha que iremos falir.  Só que a gente cresce e passa a colecionar frustrações, feito figurinhas.

AMOR TOLERANTE TEM PRAZO DE VALIDADE



Um dia, armei um alçapão no quintal da minha casa e capturei um pardal. Pardal é marrom, não canta, não é bonito, mas mesmo assim instalei o bichinho numa gaiola de bambu bem ajeitada. No primeiro dia, ele ficou se debatendo nas grades, querendo de volta sua liberdade.

No segundo, amuou. Ficou quietinho no canto, triste, ressabiado. Nem no poleiro ele ia. Recusava o alpiste farto, a água cristalina, o ovo cozido, as sementes de jiló. Achei que ia morrer de tristeza.

No terceiro dia, abri a gaiola e ele saiu em disparada rumo ao céu. Foi aí que eu tive a minha primeira lição sobre tolerância.

Corações são lugares habitáveis para aqueles que estão cansados de vagarem só na imensidão livre do céu azul. 



sábado, 28 de março de 2020

REsIsTÊNCIA: COMBUsTÍVEL PARA O PROPÓsITO






Estamos acompanhando atentos o efeito dessa pandemia que ameaça a todos. Da porta para fora a ameaça de doença se faz presente. Dá porta pra dentro reinam os pensamentos sobre a incerteza sobre o emprego, o salário, o abastecimento e a provisão dentro de casa.

Eu sei que para muitos, em uma escala menor, esse perrengue parece ser já familiar. Me entende somente quem tem que escolher qual conta acudir no mês e quem desdobra nos bicos e nas horas extras para conseguir fechar o orçamento familiar.

Mesmo diante de tantos desafios, com tantos motivos para desistir, eu e você continuamos nos renovando, sobrevivendo e resistindo a força opressora que quer nos derrubar, nos fazer desanimar e desistir.
 
Essa resistência é suficiente para nos manter mesmo na maior das dificuldades.

A Bíblia nos ensina o poder de uma palavra proferida, a qual faz  cumprir um propósito de benção ou maldição.

Com excessão dos milagres, que são experiências extraordinárias, respostas de Deus para uma situação impossível, as bençãos de Deus se concretizam sempre com uma parcela de contribuição da nossa parte.

Foi assim com Rute, que soube permanecer unida a sua sogra, mesmo diante da morte de seu marido, o que mudou sua sorte.  Foi assim com Ester, uma orfã que é levada para corte do rei, e por suportar as adversidades que o momento lhe propunha, foi exaltada e pode fazer algo a favor de seu povo.

Essa permanência diante de uma adversidade é o que chamamos de propósito.

A psicologia chama de resiliência e a compara a eficácia de uma semente que mesmo desfavorecida, guardada, abandonada, ainda mantém dentro dela, um potencial capaz de fazê-la brotar e assim, dar um novo significado á sua própria condição.

Tal analogia nos permite entender um pouco dos processos emocionais que envolve qualquer tomada de decisão. Por sermos todos sementes,  ainda que assolados pela vida, haverá dentro de nós uma força de resistência para suportar todos os problemas e dificuldades, e ao tempo certo, brotar e florescer.

lembre-se: é mais importante ter raízes do que folhas. E as raízes ninguém vê.

Há um potencial de superação em cada um de nós, uma força concentrada em forma de resistência, que nos permite navegar por entre mares agitados, dando a força mínima necessária para sobreviver e alcançar a terra firme. Estou falando do Potencial de superação!

A semente só perde seu potencial quando é desviada de sua função!  por isso é vital ter em mente o desejo de prosseguir, haja o que houver. Só assim as promessas são alcançadas e a força da vida se manifesta, para quem sabe dar valor ao grande benção da vida.

"Multiplicando em mim as inquietações, teu consolo me alegra a alma."  (salmos 94:19).

 
Mesmo diante das inquietações, saiba que Deus pode lhe dar consolo e alegria para que voce vença!





sábado, 23 de fevereiro de 2019

A ÉTICA DA GENEROSIDADE

Tempos atrás eu vi uma propaganda de um banco que oferecia um pacote de serviços incentivando o empreendedorismo, que me espantou.

A propaganda tinha por fim comover exaltando o humanismo por detrás de qualquer acordo firmado. Dizia que a pessoa jurídica é antes de jurídica uma pessoa. Dizia mais ou menos assim: “Paulo, Maria, Teresa. São tantos nomes por trás de qualquer empresa, mas não são todos os bancos que enxergam dessa maneira”. E continuava: “Mais do que um CNPJ,  a pessoa é uma parceira. Apoiar e incentivar o empreendedorismo, (lá) não ficaria apenas no pensamento”. E terminava com a famosa frase de efeito: “O que a gente pode fazer por você, hoje!”.

Nunca pensei que chegaria um dia em que uma empresa que visa única e exclusivamente lucro, fosse ensinar as pessoas sobre humanismo nas relações.

Que me perdoem o termo, mas que “merda” hein?! Acharmos sentido em uma propaganda de banco que nos diz que devemos ser mais humanos naquilo que fazemos. 

E o impacto dessa estratégia ousada de descobrir novas soluções para velhos problemas relacionados à natureza humana, propondo repensar as velhas relações humanas para resolver problemas novos, parece ter dado resultados. Só no ano em que a instituição investiu nessa estratégia de marketing, ela alcançou um crescimento de 36% em seus lucros atingindo um patamar recorde para o banco.

E sabe por quê? Porque falou ao nosso íntimo. Esfregou, assim, de leve, uma realidade na nossa cara.
Somos um povo na sua grande maioria correto, que sabe que tudo se alcança com suor e sacrifício. Isso é bom, é bacana. Fazemos o que precisa ser feito, e pronto, podemos repousar nossa cabeça ao travesseiro com a sensação de que estamos no caminho certo.

Mas será? Será que estamos de fato, trilhando este caminho de uma forma correta?

Na propaganda do banco, diz que somos humanos antes de sermos qualquer outro tipo de coisa. 

Somos humanos antes de sermos profissionais, empresários ou administradores da nossa própria renda. Mas eu pergunto, onde está essa humanidade quando estamos caminhando na rua e alguém nos aborda pedindo um dinheiro, e nem paramos para ouvi-lo, porque deve ser um drogado ou um malandro.

Onde está nossa humanidade quando não conseguimos nem cumprimentar o nosso vizinho, que em tese, está mais próximo a nós do que muitas outras pessoas.

Que humanidade é essa que não ajuda em nenhuma obra assistencial, não divide o que se possui e nem coopera com o crescimento das outras pessoas?

Eu acho triste aprender sobre generosidade com um banco.

Conheço pessoas que passam monitorando poupanças e economizando para ter uma reserva. Nada contra essa sábia e prudente postura. Mas algumas dessas mesmas pessoas acham uma bobeira viajar nas férias e construir boas lembranças que seus filhos carregarão para o resto de suas vidas.  Muitas só participam de festas e convenções familiares quando a iniciativa parte do outro, daquele coitado gastador.

A generosidade não deveria ser posto como um valor, por que para essas pessoas, o que é de valor deve ser guardado, preservado, e nunca utilizado.

Sabe aquela tia que guarda o melhor aparelho de jantar no sótão por achar que os jantares corriqueiros não fazem jus ao uso daquela valiosa louça? Falsa expectativa de um futuro pronto. Daí ela guarda a louça e ao reproduzir esse comportamento, acaba achando a rotina banal e com isso não percebe o desgaste da relação. Logo, ela  é traída, o marido vai embora, os filhos crescidos também saem de casa e resta ela, o gato de estimação, e o aparelho de jantar guardado no sótão.

Generosidade não deve ser vista como um valor, mas sim como uma conduta. Generosidade é empírica, feita na prática. Pensamentos generosos que não são manifestos são só uma forma de se desculpar pela nossa natureza mesquinha.

Generosidade acontece quando você valoriza mais gente do que coisa. 

É sintomática, é aquilo que se faz por impulso. Quando se percebe cumprimentar pessoas na rua, no trabalho, quando se esta atento aos olhares, buscando contato com as Ongs que podem fazer algo pelos cães abandonados da rua, por exemplo.

Generosidade é quando eu reconheço qualquer esforço do outro, por menor ou mais insignificante que ele pareça ser.

Generosidade não é desprezar o valor do dinheiro não, pelo contrário, é ter consciência do seu valor. Ao rachar a conta da lanchonete com um amigo, por exemplo, devo ter em mente se aquela parte que coube a ele fará mais diferença na minha carteira ou na dele? Eu abdiquei do que por aquilo? E ele?
Generosidade é a irmã gêmea da empatia.  Estão atreladas. 

Um dos aspectos ruins da índole generosa é o abuso com que muitos a tratam. Existem pessoas folgadas, acomodadas, preguiçosas e principalmente mal agradecidas. Mas todas essas deficiências pertencem a elas. São elas que precisam melhorar evoluir como seres humanos. 

O generoso que deixa de ser generoso em nome da falha do outro nega a si mesmo. É como querer sacrificar o boi devido aos seus muitos carrapatos. 

Por último, cumpre destacar que a generosidade é a ética cristã de quem diz praticar o bem.
Amar o próximo até o limite do que é justo, não é o exemplo que o Cristo deixou. Ele fez a mais, se diminuiu por quem nem merecia.

A ética cristã põe Deus acima de tudo e o próximo no mesmo patamar que nós. Logo, a história dos “bazares beneficentes” é uma desculpa escrachada para eu descartar o que não me serve e ficar com a “falsa” sensação de que eu fiz o bem. Mentira! Se você tira algo que não lhe serve, não deve servir a seu irmão também, porque ele não está abaixo de você, e sim, no mesmo lugar.

Tratar o outro com o mesmo cuidado com que nos tratamos é libertador! E faz parte da dor e da delícia de se existir.

Que tal repensar a finalidade daquele dinheiro que está guardado lá naquele banco que quer te ensinar a ser generoso?

As verdades cruéis são na verdade as mais motivadoras!

“A fé sem obras é morta.” (Tg 2: 26)